O Programa

Saúde, Ciência e Espiritualidade na Universidade

Como a Espiritualidade influencia no processo saúde-doença-adoecimento?

Aspectos religiosos e espirituais compõem a cultura humana desde seus primórdios, influenciando sua organização social, política e econômica, tomada de decisões e processos de saúde e doença. Contraditoriamente, a ciência ignorou a associação entre espiritualidade e saúde durante um longo tempo, ao ponto de a religião ser denominada “o fator esquecido da saúde física e mental” (PARGAMENT et al., 1992).

O progresso científico permitiu maiores investigações e a consolidação de uma espiritualidade baseada em evidências (SAAD; MASIERO; BATTISTELLA, 2001): atualmente bases de dados mundiais contam com centenas de artigos científicos defendendo uma associação estatisticamente válida e possivelmente causal entre espiritualidade / religiosidade e saúde (LEVIN, 1994).

Segundo a Constituição da Organização Mundial de Saúde (OMS), em vigor desde 1946, a Saúde é definida como um “completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade” (OMS, 1946). Todavia, um grande número de estudiosos da construção do processo saúde-doença humano identificaram a espiritualidade como fator tão influente quanto as dimensões física, mental e social nesse completo bem-estar. (PERES et al, 2007. PANZINI et al, 2007. GUIMARÃES; AZEVUM, 2007). Essas evidências suscitaram, inclusive, propostas de inclusão da dimensão espiritual ao conceito de saúde pela OMS. (WHO, 1998).

Espiritualidade pode ser definida como um impulso natural do ser humano no sentido da busca do significado da vida por conceitos que transcendem o tangível: uma relação com algo que é maior que si, que pode ou não incluir aspectos religiosos (SAAD; MASIERO; BATTISTELLA, 2001). A espiritualidade relaciona-se a busca individual por um significado para a própria existência, isto é, o homem em busca do sentido da vida. Na área da Saúde, está documentado em diversos artigos que a espiritualidade contribui para uma maior facilidade enfrentamento de situações graves, como doença e morte, e tomada de decisões; contribui para um melhor funcionamento do sistema cardiovascular e está definitivamente associada a melhores índices quantitativos e qualitativos de qualidade de vida.

Em consonância com o currículo do Curso de Medicina da Universidade Federal do Cariri (UFCA), estruturado sob a perspectiva de construção coletiva e autônoma do conhecimento entre estudantes e facilitadores dos conteúdos (professores), bem como com as comunidades científicas nacional e internacional, que têm reconhecido a importância da espiritualidade na construção do processo saúde-doença e na condução terapêutica do paciente, na educação médica e na qualidade de vida, a Liga Acadêmica de Saúde e Espiritualidade do Cariri se apresenta como espaço agregador de estudantes, professores e servidores técnico-administrativos desta Faculdade de Medicina e de outros cursos da área da Saúde da região do Cariri.

Como surgiu o grupo?

Fundamentação

Em 1998, a Organização Mundial de Saúde (OMS), durante a 101st session of the Executive Board, eight meeting, propôs a emenda de sua Constituição (Resolution EB101.R2), solicitando que a definição de Saúde deixasse de ser: estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença e enfermidades, para que fosse considerada como o estado dinâmico de completo bem-estar físico, mental, espiritual e social. Esses aspectos já amplamente conhecidos de todas as tradições espirituais, comumente ainda são ignorados pela medicina tradicional ocidental, ou quando muito, são abordados apenas pela ótica fragmentada e dissociada do paradigma tradicional. Perdemos nossas origens, pois a medicina Hipocrática considerava a doença como um desequilíbrio entre as influências ambientais, os modos de vida e os vários componentes da natureza humana, sendo o processo de cura algo que surge das profundezas do Ser. Ao médico caberia ajudar, assistir e cuidar dessas forças naturais dentro de um rigoroso código de ética.

Assim, em 2012, surgiu o Grupo de Estudos em Saúde e Espiritualidade (GESE) do Curso de Medicina do Cariri da então Universidade Federal do Ceará – campus Cariri (UFC-Cariri), visando estudar em profundidade o novo paradigma (da Física Quântica), e semear entre os membros as noções de multidimensionalidade e interconexão do ser, além de oferecer aos mesmos subsídios necessários nos conceitos de saúde integral, visão holística do ser humano e humanização do exercício do cuidado em Saúde, bem como incentivar a pesquisa científica nas áreas de Saúde e Espiritualidade. O GESE-UFC Cariri desenvolveu suas atividades ao longo do ano de 2012.

Em 2013, a partir do trabalho dos egressos do GESE e de professores, a LIASE Cariri foi formalizada e institucionalizada na forma de projeto cadastrado e apoiado com bolsas junto à Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da UFCA, sendo, a partir de 2016, classificada como Programa de Extensão.

Logotipo LIASE

CLICANDO AQUI você pode baixar o livro “Espiritualidade no Cuidado com o Paciente”, de prof. Harold G. Koenig, que serve de fundamentação teórica para a LIASE Cariri.

Estrutura

Diretoria Executiva – ano 2017

  • Coordenadoria Geral Discente: Raphael Tavares.
  • Coordenadoria Adjunta Discente: Flávia Costa, Thalyne Araújo, Cynara Bezerra, Karina Cristina, Árisson Luciano, Letícia Fonseca.
  • Conselho Supervisor: prof. Maurício Lopes, médico infectologista (FAMED-UFCA) − Orientador e  profa. Milena Costa, enfermeira (FAMED-UFCA) − Co-orientadora.

ESTATUTO: você pode acessar o nosso estatuto CLICANDO AQUI.

Membros

Compõem a LIASE Cariri:

  • Membros fundadores (aqueles que participaram efetivamente do GESE-UFC Cariri em 2012): Arthur Fernandes, Aline Quental, Telésforo Jr., Alécia Monteiro.
  • Membros admitidos via processo seletivo (os que se juntaram a LIASE a partir do processo seletivo de 2013): Medicina / UFCA – Gabriela Carvalho, Raphael Dantas, Laís Chaves, Maria Augusta Lima, Stefânia Rodrigues, Ana Carolina Duarte, Camilla Meireles, Gisele Nogueira, Daiane de Lima, Raquel Moreira, Diego Ferreira, Mauro Henrique, Juliana Fontes, Vitória Pereira, Áquila Goetten, Natalle Wold, Karina Cristina, Flávia Costa, Cecília Gomes, Mariana dos Santos; Pâmela Martins, Thalyne Araújo, Árisson Luciano, Cynara Bezerra, Letícia Fonseca, Tallita Nikássia;  Medicina / Estácio-FMJ – Bruna Furtado, Eugênia Rodrigues; Enfermagem / URCA – Anthony Gomes; Fisioterapia / Unileão – Thalita Santos, Aline Dias.
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